Dessa vez fiquei em dúvida, o que fazer com dois cachorros de uma vez?
Na segunda quinzena de outubro de 2011 vi dois cachorrinhos: um negro e um branco com manchas caramelo. Avistei de longe, não sabia se era macho ou fêmea. Eles conseguiam passar pela grade do condomínio, entravam e saíam, davam uma voltinha e saíam de novo. Muito ariscos e desconfiados. Certa vez tentei me aproximar com comida na mão. Coloquei a comida e fiquei observando de longe, o negro comeu um pouco, com medo, mas logo saiu. O outro menor saiu correndo....
| Negresco |
Não foi dessa vez. Os dias foram passando e sempre que passava de carro eu via aqueles dois rondando perto de algum condomínio.
Teve uma noite de novembro, no dia 1º, lembro bem o dia. Estava chovendo em Brasília e de longe vi um rolinho preto embaixo da chuva, não vi o outro cachorro. Pedi para o meu marido parar o carro e para vermos como ele estava. Assim que o carro parou ele veio abanando o rabo. Meu marido que tem muito jeito com cachorros, logo conseguiu fazer amizade com ele. Vimos que se tratava de um macho. Mas, e o outro cachorro? Procuramos à volta e vimos que ela estava embaixo de uma cerca viva.
| Doce de Leite (Docinho) |
Docinho começou a latir para nós. Voltamos prá casa, peguei comida e fomos lá de novo. Ele se aproximou de nós quando viu a comida e comeu vigorosamente. Mas a Doce de Leite ainda estava nervosa e desconfiada, mas a fome foi mais forte, ela se aproximou um pouco e demos a comida prá ela. Tentamos colocá-los no carro, só o Negresco entrou. A Doce de Leite voltou para debaixo da cerca viva de ficus, porque ainda chovia fraco. Meu coração ficou apertado em saber que os dois ficariam ali no frio.
No dia seguinte fui ao enterro do pai de uma amiga, mas já saí de casa preparada com água e comida para os dois.
Na volta do cemitério avistei os dois e fui decidida: "de hoje não passa."
Dessa vez dei pouca comida, eles se aproximaram, coloquei a comida perto do meu carro, dentro do carro, o Negresco entrou, e assim que a Docinho se aproximou peguei-a no colo e joguei no carro. Ficaram lá atrás quietinhos, dei a volta e fui para o hospital veterinário.
Lá ele foram atendidos e verificaram que o macho estava com doença do carrapato e a fêmea tinha muitos carrapatos e pulgas, subnutrida, mas tinha chances de sobreviver. O macho tinha uma incógnita. Deixei os dois internados aos cuidados dos veterinários. Imaginei que iriam ficar uns quinze dias no máximo. Fui visitá-los duas vezes por semana. Infelizmente, no dia 16 de novembro à noite eu sofri um infarto agudo do miocárdio e tive que ir para o hospital. Dois stents, UTI, internação, recuperação pós alta e o tempo foi passando. E eles lá, internados. Tiveram uma virose, que pegaram durante a internação. Eu sem poder ir lá, sem dirigir, na casa da minha mãe. Pedi para levarem dois dos meus filhinhos para me fazerem companhia: o Chico e a Sol. Depois a Sol voltou para casa e veio a Lara.
O tempo foi passando e os dois meninos ficando no hospital, e a conta aumentando. Fui ficando desesperada. Primeiro, tirei fotos e mandei e-mail para os amigos oferecendo-os para adoção. Também, coloquei em dois Pets, mas nada aconteceu.
Nenhuma ligação. Resolvi então fazer dois canis para abrigar os dois meninos e tirá-los do hospital. Sete cachorros em casa. Como seria?
| Docinho e seu olhar penetrante |
Eu em convalescença, após um infarto e ainda por cima com uma reforma em casa.
Aproveitei que tinha pedreiro em casa e fiz os dois canis. Pior é que já estava descapitalizada por conta da obra, e os orçamentos foram todos altos. Mas fiz assim mesmo, regime de urgência urgentíssima.
| Doce de Leite parece ter gostado do canil |
| Gostou do canil? |
Mas, a vida teima em continuar e continuo com os dois até hoje em minha casa, até fiz uma reforma no canil deles. Mas, agora eles tem companhia: a Candy, a filhinha do casal.
Mas, isso é outra história.....
Mas, isso é outra história.....
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