Linfoma
Um capítulo triste da minha vida e da Sol, meu sol, minha amiga querida...
Quando finalmente foi diagnosticado o linfoma eu parei para entender o que estava acontecendo. Fiquei pensando comigo, quanto eu daria para não se confirmarem as suspeitas dos médicos veterinários do Hospital Veterinário Clemenceau, Brasília/DF.
Vou começar essa história voltando no tempo. Desde janeiro de 2014 percebi que a Sol estava com as patas dianteiras com uma espécie de alergia, estavam inchadas, avermelhadas e úmidas. Levei-a numa consulta comum de veterinário, mas a médica que a atendeu passou um remédio qualquer para alergia, e deu uma injeção. Voltamos para casa. Passaram alguns dias e nada de melhora. Já estávamos em fevereiro. Fui num final de semana e fui atendida por outra veterinária que achou estranho não ter melhorado. Mas continuei com o tratamento, sem melhoras. Retornei novamente e pedi para que a Dra. fizesse um raspado para saber se não seria fungo. Ela o fez a meu pedido e constatou que se tratava de sarna dermodécica*, que é um tipo de sarna não transmissível e que desencadeia quando o organismo do animal está vulnerável, as defesas estão baixas.

*A sarna demodécica (popularmente conhecida como “sarna negra”), é uma doença causada por um ácaro chamado Demodex canis. Este tipo de sarna não é contagiosa (ou seja, não é transmitida pelo contato direto com um cão doente). Existe uma predisposição genética para doença, que pode ser herdada da mãe, pai ou ambos, portadores da doença. Trata-se por tanto de uma doença hereditária.
Fonte: http://www.portalnossomundo.com/site/saude/demodecica.html (28.01.2015)
Foi receitado um remédio via oral, Mectimax, o qual consegui administrar apenas por dois dias, porque ela teve reação com enjôos e vômitos, então tive que suspender o tratamento.
A seguir fui encaminhada ao especialista, dermatologista, o MV Dr. Gustavo Seixas, que fez exames de sangue e de raspado constatando mais uma vez que ela estava com sarna dermodécica, indicando o tratamento desta vez com o medicamento Cydectin que seria administrado via injetável que eu deveria fazer a cada três dias, utilizando 1,5 mg do medicamento via intradérmica. Com um mês de tratamento já se pode ver o resultado, o odor característico da sarna passou (cheiro de queijo azedo), o pelo voltou a crescer, pois a sarna havia espalhado pelo corpo dela, e com três meses de tratamento ela foi curada.
Mas, o médico não estava satisfeito, apesar da cura, pediu que eu procurasse a Dra. Priscila Clemente, endocrinologista do mesmo hospital, pois achou estranho a Sol apresentar esses sintomas aos 8 anos de idade.
Foi feita uma bateria de exames: exames de sangue, exames que foram para São Paulo, capital, para saber se ela estaria com hipotireoidismo, ecografia do abdômen total, eletrocardiograma, raio X digital. Ao final não foi constatado hipotireoidismo como imaginara a dra. mas num dos exames de sangue os Leucócitos estavam muito altos, o normal é até 13.000, mas no caso dela estava em 23.000, uma das coletas, outra constou 27.000, preocupante...
A dra. Priscila achou fez mais um exame, o de medula, foi puncionado líquido da medula e encaminhado para exame de uma especialista em Brasília que verificou que os linfócitos estavam muito altos indicando se tratar de câncer linfócito, ou linfoma. Ela me encaminhou para a oncologista do hospital, a Dra. Marta Rocha, para fazermos mais exames.
(Eu sempre tive fé que ela não teria nada de sério que seria só uma suspeita infundada.)
Chegou o dia da consulta e a médica muito simpática nos atendeu. Fez várias apalpações com duas assistentes e verificou que os linfonodos estavam alterados, aumentados de volume, me mostrou e pude apalpar também, disse que só com outros exames poderia ter o diagnóstico completo. Foi feita uma punção de dois linfonodos e seriam encaminhados para biópsia. Passados alguns dias o resultado foi inconclusivo para linfoma. Voltamos lá novamente e a Sol fez novos exames, de sangue e a punção dos linfonodos. Mais espera. Mais alguns dias e ligações, whatsapps, e finalmente de novo os exames deram inconclusivos.
Até que um dia ela teve um comportamento estranho, (até aquele momento ela sempre esteve bem, desde o episódio da sarna, comendo bem, urinando, defecando, o comportamento normal, alegre, um pouco mais sonolenta por conta da idade, mas nada de anormal), ela de repente um dia pela manhã não conseguia levantar, eu insisti e ao levantar-se ela ficou torta seu corpo ficou no formato de um C ela não conseguia ficar reta, e só conseguia andar de lado, muito estranho. (Eu me considero uma pessoa muito forte, pois já passei por diversas agruras na vida, já fui testada e retestada várias vezes, mas confesso que desta vez eu fiquei muito preocupada).
Aí começou o drama, pois eu não conseguia falar com a médica, pois é muito ocupada com a sua profissão, mas eu fiquei muito assustada, coloquei-a no carro mesmo sem conseguir falar com ela e fui para o hospital, larguei tudo prá trás, os outros cães ficaram até sem comer. Chegando lá eu consegui localizar a dra. Marta e nesse momento a Sol melhora, como por milagre, ela fica bem, desce do carro sem dificuldades, fica reta, senta, sorri como ela sempre sorri e a médica vê isso e acha que eu exagerei. Fico puta quando isso acontece, cheguei lá e nada. Mas eu havia gravado tudo e mostrei a ela. O que a médica fez? Nada. Me mandou de volta prá casa e marcou para fazer de novo os exames dos linfonodos, mais punção.
A Sol fez mais uma punção e dessa vez teve que repetir o exame, pois não foi bem coletado, então mais seringas e mais sofrimento. De novo, o resultado foi inconclusivo, não sei onde estava o erro se no laboratório ou na forma de puncionar o linfonodo.
Resolvi dar um tempo, pois o ano de 2014 estava acabando e eu estava super atarefada no meu trabalho.
Mas em dezembro ainda houve nova crise, não levantava e ficava em forma de C, andando para o lado. Foi um domingo, tinha visitas em casa, minha mãe e uma moça passando roupas. Eu fiquei esperando se ela melhorava, mas não ocorreu melhora. Dei almoço para as pessoas, almocei e fui no plantão e por sorte era uma médica conhecida a Dra. Ana Paula que atendeu a Sol superbem, muito carinhosa com ela. Ficou preocupada e fez exames de apalpação, sangue e ecografia do abdômen. Logo de cara no exame de sangue os leucócitos já estavam na casa de 62.000 uma alta muito considerável. Eu gelei. Meu Deus! O que fazer? A dra. pediu que viesse uma outra médica para fazer a ultrassonografia. Como eu tinha visitas deixei a Sol no hospital e fui prá casa. Eu tinha que levar as visitas de volta, minha mãe é uma senhora de 80 anos e não dirige.
De volta ao hospital tive a notícia que foram encontrados vários tumores no baço da Sol e que a indicação seria a retirada deste. Que ligasse na segunda-feira para marcar consulta com a Dra. Marta Rocha, oncologista, para marcar a cirurgia. Consulta marcada e consulta feita, desta vez com dois exames mais preocupantes ainda. Foi decidido que o melhor seria fazer nova coleta de material da medula óssea, punção dos linfonodos antes da cirurgia. E assim foi feito, o resultado, por incrível que pareça deu novamente inconclusivo, mas dessa vez a estratégia foi outra, seria feita a cirurgia de retirada do baço e de um dos linfonodos para biópsia.
Dia 13 de janeiro de 2015 a Sol foi operada com sucesso, o baço foi retirado e o linfonodo da perna esquerda na traseira e ambos foram encaminhados para o laboratório.
No dia seguinte ela saiu do hospital muito bem.
Fotos abaixo da Sol no dia 14 de janeiro de 2015
Comprei todos os remédios necessários para o pós operatório e dei por um dia apenas, pois ela vomitou quatro vezes seguidas no dia 15 de janeiro. Voltei ao hospital e a médica deu Cerenia, mas ainda assim ela vomitou duas vezes. Suspendi a medicação e não dei mais, só o Vonau, 8 mg, anti emético.
Dia 20 de janeiro obtive o resultado por telefone, após tentar falar com a dra. por várias vezes, que a Sol tinha finalmente um diagnóstico: tinha Linfoma e que o tratamento adequado seria a Quimioterapia.
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| Sol, Eu e a Lara atrás de mim |
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| Lara atrás e em detalhe Sol e Meibe Mariane |